segunda-feira, 15 de julho de 2013

Prosas de corredor pt. 1

Decidi dar continuidade ao blog pelo simples fato de: eu preciso escrever. Preciso, antes que a vida me transforme numa bola rosa de chiclete prestes a explodir.
E então, sobre o que falar, exatamente? Bem, como comecei o blog no ano passado falando a respeito de uma vizinha do prédio, nada melhor que analisar um pouco das atitudes dos meus vizinhos novamente.

Dia desses eu tive um perrengue de cunho extraordinário chamado: vazamento. A merda de um vazamento no meu apartamento. Como? Por quê? Como assim foi surgir um vazamento justamente no meu apartamento? 
Bom, como eu sou uma pessoa deveras sortuda sóquenão, fui para o trabalho com o cunamão em deixar as gatas sozinhas em casa com esse maldito vazamento que eu não soube como surgiu. Segui para o trabalho e fiquei lá por meia-hora, não mais que isso.
Visto que eu sabia que meu problema levaria um bocado de tempo para ser solucionado, aproveitei o dia para botar a casa em ordem e decidi comemorar a grande responsabilidade que é morar sozinha e se ferrar com a merda de um vazamento usando meu aspirador de pó pela primeira vez. Claro, porque trabalho de segunda à sábado e domingo eu não posso fazer barulho do gênero. (Deviam avisar o vizinho travesti que já decorei de trás pra frente On The Radio, da Donna Summer - ele ouve essa música sempre que pode)... (e eu tô ouvindo essa música agora...) Bom, voltando. Dei aquela geral na casa, mudei a cama de lugar e ocupei meu tempo com o ódio por ter acontecido isso.
Esperando o digníssimo zelador subir ao meu andar e vir até meu apartamento para resolver o problema não foi uma tarefa fácil. Por sorte não levei chá de cadeira: levei mesmo um chá de poltrona, já que era o caso. Daí então ele trouxe consigo o senhor digníssimo encanador e me deixou sozinha com o cara (ok ¬¬).

- Pois não senhora? Legal esse cabelo, hein? Onde é que a senhora faz isso?
- (Sorriso amarelo e...) Trabalho num salão...
- Opa, que legal!

Nessa hora já vendo minha cara de poucos amigos e de "vamos logo resolver essa parada, amigão?" ele começou a mexer na torneira da pia. Descobrimos então que o cano havia rachado e a infiltração foi até o outro lado da parede descendo ao chão, causando todo o caos matutino que tive naquela manhã de sexta-feira.

- Ok, senhora. Olha, trabalho por fora. Se quiser, te cobro 150 conto nisso, mais 50tinha na sua porta que tá enroscando.
- (O QUÊ?! NÃO ERA DEVER DO CONDOM...) Ahn, bom... Vou ter que ver minhas economias e te aviso daqui a pouco.

Ok, né? Porque uma 'senhora' como eu, que mora no centro de SP, sozinha tem a obrigação de ter 200 conto dando sopa na carteira. Claro, óbvio. Certamente.
Tá, eu tinha o dinheiro... Mas era pra outra coisa, claro. Mas tinha.
Então chamei o cara e ele resolveu meu problema.
Só que daí uma vizinha que eu nunca vi resolveu verificar o que de errado estava acontecendo com o meu apartamento.

- Oi, mocinha!!! Poxa, o que aconteceu aí?
- Vazamento.
- Hum... Poxa (nessas, já olhando aqui dentro), como seu apartamento é cheio de coisa! Nossa, tenho uma amiga do 12º que mora numa kit também, só que o dela não tem tudo isso de coisa. E olha que ela tem uma cama de casal, hein?
- É mesmo? Nossa, que legal, né?
- Pois é! Qual seu nome? Nunca te vi aqui.
- Nataly (me arrependendo de ter falado)
- Você faz o quê?
- Trabalho num salão.

E o encanador me chama.

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